terça-feira, 6 de março de 2018

Devemos tomar Suplementos?


Neste poste falei sobre deficiências nutricionais e como elas nos desequilibram e provocam doenças. Meu objetivo era levar as pessoas  a escolher melhor os alimentos, de acordo com suas necessidades, a esforçarem-se em ter uma melhor digestão  e absorção de forma a terem corpos bem nutridos e saudáveis.

Quando se fala em deficiências nutricionais muitas pessoas pensam em suplementos, mas uma coisa pouco tem haver com a outra.
Todos os que querem uma melhor saúde mais perto do natural sabem que é preferível consumir alimentos inteiros em vez de refinados, então porque esta regra havia de mudar quando falamos em vitaminas  ou outros suplementos?

Super-alimentos são diferentes de suplementos
Existem os super-alimentos, como a spirulina, o pólen, a chlorela, a maca, a levedura de cerveja, gérmen de trigo, e tantos outros que se vendem e que se tomam como suplementos, mas no fundo são suplementos alimentares no sentido que são inteiros, são alimentos inteiros concentrados. As vitaminas e minerais existentes nestes suplementos não estão isoladas e nem são sintéticas. Em vez disso são estruturas altamente complexas que abarcam uma variedade de vitaminas, minerais, enzimas, coenzimas, oligoelementos e outros fatores desconhecidos que trabalham em conjunto de forma sinérgica, para permitir que a "informação" desse suplemento/alimento faça as suas ações no corpo.
Estes super alimentos são muito diferentes dos nutrientes sintéticos, que não são naturais, pois nunca foram encontrados na natureza, são nutrientes isolados e formulados quimicamente, o que provavelmente funciona no nosso corpo como um produto químico.

Repare, a natureza não produz nenhum nutriente isolado, tudo vem misturado de uma forma especifica, o que mostra que para um nutriente funcionar bem dentro do nosso corpo ele precisa de todas as outras partes que estão naturalmente presentes nos alimentos.
Há quem defenda que o seu corpo trata esses nutrientes isolados e sintéticos como xenobioticos, ou seja substâncias estranhas e tenta ver-se livre delas.
No entanto, também temos de olhar os casos que melhoram com alguns suplementos, é o caso das gorduras ómega 3, dos próbioticos, a vitamina D para quem não apanha sol, e Coenzima Q10 para quem toma Estatinas (medicamento para baixar o colesterol). A eficácia destes suplementos dependem sempre da qualidade do produto.

A teoria ortomolecular
Oiço muitas vezes que, nos dias de hoje não é possível ter uma saúde plena, se não tomarmos suplementos, isto porque há um esgotamento do solo, há um exagero de consumo de alimentos industrializados que são vazios nutricionalmente, e há um estilo de vida stressante que consome muitas vitaminas e minerais. Quem defende a teoria ortomolecular argumenta que devemos ajudar nosso corpo com substâncias que são necessárias e que os recetores na superfície das nossas células tanto recebem uma vitamina natural como uma sintética. Embora falte fundamentação científica, esta teoria foi aceite e vivemos uma época de suplementos de vitaminas sintéticas, e muitas pessoas estão a tomar como único meio para prevenir deficiências nutricionais, pois acreditam que estas compensam os maus e pobres hábitos alimentares. Mas, será?
A frase de Hipócrates que tantas pessoas referem diz que " teu alimento seja o teu medicamento" é diferente de "teus suplementos sintéticos sejam os teus medicamentos".

Vitamina C
Toda a gente já ouviu falar dos benefícios da vitamina C, ou melhor do ácido ascórbico, em teoria parece ajudar a promover uma boa saúde, mas o que é ótimo na teoria nem sempre é tão grande na realidade.
A vitamina C natural contida no limão ou na laranja vem num "pacote" associada a outras substancias como bioflavonoides, fator J, fator K, Fator P, tirosinase, ascorbinogen e ácido ascórbico, a vitamina C para ser absorvida e fazer a sua função no nosso organismo precisa de todos estes co-fatores. Os suplementos de  Vitamina C ou ácido ascórbico sintético não são iguais à Natureza, então o corpo para usar a formula sintética tem de ir buscar às reservas dos tecidos corporais todos esses componentes para fazer uso dela. Poderá sentir-se bem por um tempo, mas quando se esgotarem nada feito.

Um artigo no American Journal of Clinical Nutrition (Vol. 87, No. 1, 142-149, janeiro de 2008) mostrou que tomar o suplemento de Vitamina C prejudicava os músculos, pois comprometia a função mitocondrial e inibia as enzimas antioxidantes do corpo como o superóxido Dismutase (SOD) e o peróxido de glutationa, o que diminuía o sistema imunológico do corpo, reduzindo a capacidade de fazer frente a infeções. Neste caso, em vez de ser um antioxidante benéfico, o suplemento de vitamina C mostrou funcionar como um pró-oxidante adverso.

Vejamos, os humanos não podem produzir  vitamina C, então devem ingeri-la, mas o ser humano depende de uma alimentação baseada particularmente em frutas e vegetais que são excelentes fontes de vitamina C, a biologia humana não aceita vitaminas sintéticas, o que faz todo o sentido, visto que o designe da vitamina C natural é diferente da vitamina C sintética, e o mesmo se passa com as outras vitaminas ou minerais.

Conclusão
Precisamos de nutrientes, eles exercem funções no corpo que tratam os nossos desequilíbrios físicos, mas eles têm de vir da Natureza, da terra, não do laboratório. Pode levar décadas, mas os cientistas vão ter de perceber que a magnitude dos benefícios dos  nutrientes está no alimento inteiro, por isso use super-alimentos, não suplementos.



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